Teu rosto é como
Um róseo pomo,
Que eu só desejo
Morder num beijo.
Último tomo
De amor que eu domo
Enquanto almejo
O grato ensejo...
O afecto que
Me enchera de
Paixão fatal
Vê com ardor
Teu belo cor-
po escultural!
Todos os beijos da volúpia, os beijos
Da boca sempre inquieta por beijar-te;
E os beijos da minh'alma, sem desejos
Que não sejam, de longe, acarinhar-te...
E os beijos que são longos, como harpejos
Em que fala o meu sonho e a minha arte,
E os beijos em que o sangue tem lampejos
De ciúme e de febre a alucinar-te...
E os beijos desta angústia, em que procuro
Prender nas minhas mãos o teu futuro,
Saber o anseio dos teus olhos tristes...
E ainda os beijos novos que eu não dera,
Os beijos que eu não dava à tua espera
--E que são teus, Amor que não existes!...