O teu rosto inclinado pelo vento;
a feroz brancura dos teus dentes;
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias, e contudo transparentes;
o triunfo cruel das tuas pernas,
colunas em repouso se anoitece;
o peito raso, claro, feito água;
a boca sossegada onde apetece
navegar ou cantar, simplesmente ser
a cor dum fruto, o peso duma flor;
as palavras mordendo a solidão,
atravessadas de alegria e de terror;
são a grande razão, a única razão.
quinta-feira, 6 de abril de 2017
quinta-feira, 23 de março de 2017
#67 - DEDICATÓRIA, Rita Taborda Duarte
Não
te ofereço
a rosa
mas
o nome
da rosa
que
serviria
meu amor
oferecer-te
a rosa
se dura
a rosa
pouco mais
que o tempo
em que te
digo rosa?
Não te
ofereço
a rosa
mas
o nome
meu amor
do amor
da rosa
eco
do que te digo
repetido
e mais rosa
te ofereço
se é
rosa
o que redigo
(rosa por cem vezes repetido)
do que
te dar
a rosa
que
não
dizendo
então
de amor
desdigo
te ofereço
a rosa
mas
o nome
da rosa
que
serviria
meu amor
oferecer-te
a rosa
se dura
a rosa
pouco mais
que o tempo
em que te
digo rosa?
Não te
ofereço
a rosa
mas
o nome
meu amor
do amor
da rosa
eco
do que te digo
repetido
e mais rosa
te ofereço
se é
rosa
o que redigo
(rosa por cem vezes repetido)
do que
te dar
a rosa
que
não
dizendo
então
de amor
desdigo
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